☁ Ovar ◷ 14 de Outubro de 2026 • 21:43
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OPINIÃO

Quando matam uma criança, matam-nos a todos.

Foi assassinada. Asfixiada. De forma fria, calculada, cobarde. Isto não é um “crime”. Isto é uma monstruosidade que nenhum ser humano decente consegue compreender. 

PUBLICADO EM 14 JULHO, 2026
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Há notícias que nos arrancam um pedaço da alma. A morte da pequena Lara é uma delas. Uma menina de 8 anos, cheia de vida, cheia de futuro, que devia estar a brincar, a rir, a viver. E foi assassinada. Asfixiada. De forma fria, calculada, cobarde. Isto não é um “crime”. Isto é uma monstruosidade que nenhum ser humano decente consegue compreender. 

Eu sou pai de uma menina que vai fazer quatro anos. E quando olho para esta tragédia, vejo a minha filha ali. E isso destrói-me. Dói-me num sítio onde não há palavras. É impossível não sentir raiva. É impossível não sentir revolta. É impossível não sentir que o mundo falhou com esta criança. 

E digo isto sem medo, sem filtros e sem desculpas. Para quem faz isto a uma criança, eu defendo prisão perpétua. Ponto final. Não quero ouvir falar de arrependimentos. Não quero ouvir falar de fragilidades. Não quero ouvir justificações. Quem planeia e executa um ato destes não tem coração, não tem alma, não tem humanidade. Não merece o ar que respira. 

A Lara não teve hipótese. Não teve defesa. Não teve tempo. Não teve nada. Foi traída friamente pela madrasta. E isso é das coisas mais cruéis que alguém pode fazer. Levar uma criança para o mato, olhar-lhe nos olhos e asfixiá-la com as próprias mãos… isto não é de pessoa nenhuma. Isto é de um monstro, de um vazio de gente, de alguém que não merece sequer ser olhado, quanto mais respirar o mesmo ar que nós. 

Esta mulher, este buraco negro de humanidade, deve passar o resto da vida atrás de grades. Não por vingança. Mas porque é o único lugar onde alguém capaz disto deve estar. Porque há atos que não se perdoam. Há crimes que não se apagam. Há feridas que não saram. E há limites que, quando são ultrapassados, não permitem retorno. 

E não, não acredito que ela sinta culpa. Para sentir culpa é preciso ter consciência. Para ter consciência é preciso ter humanidade. E quem mata uma criança desta forma não tem nenhuma das duas. 

A Lara merecia viver. Merecia crescer. Merecia ser feliz. E alguém decidiu que ela não merecia nada disso. Como pai, isto revolta-me. Como cidadão, envergonha-me. Como pessoa, parte-me o coração. 

E que a memória da Lara nunca seja esquecida.

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