A sua passagem por Angola marcou a sua vida.
Aí foi secretária de uma grande empresa.
Mas 75 trouxe-a de novo à terra onde nasceu, em Ovar.
O marido era funcionário público, mas o cancro levou-lho.
Ficou, aos 73 anos com o filho e neto a cargo. Ela com a pensão dela e do falecido marido. O Filho desempregado entregue a alguns esporádicos “biscates”, a sua idade,52, mais não permite.
O Neto aos 16 anos estuda e tem o desporto como objeto e destino.
A casa onde vivia, já bastante antiga, precisa de obras urgentes, sobretudo que impedissem a chuva de cair no seu interior.
Dirigiu-se aos serviços sociais da câmara e pediu ajuda. Ficou registada. E esqueceu. A sorte já há muito que se tinha afastado.
Um dia recebe da assistente social a grande noticia, estando interessada era elegível para o concurso das novas casas a entregar em renda acessível pela Câmara municipal.
Diz que agora vai ter melhores condições, vai ter mais a oferecer ao neto, e diz que se sente sossegada com o futuro.
Anseia agora por receber em definitivo as chaves em que tocou no dia 25 de Julho.
