Desde que o Noticias de Ovar produz a Agenda de Ovar que tomámos a iniciativa de enviar a todos as organizações relacionadas com o folclore um email a pedir que nos informassem das suas atividades e mantendo o canal aberto para que nos fizessem chegar outro tipo de comunicações.
Tivemos uma, repito, uma resposta no período em que estas associações realizam mais atividades. É certo que paira a ideia de que as redes sociais são suficientes para isso, o que é uma falácia técnica.
Da lista, que acreditamos seja ainda precária, de contatos estão os Grupo de danças e Cantares de Cortegaça (fundado a 7 de Fevereiro de 1990), sem redes sociais ou site conhecidos, o Grupo de Danças e Cantares de Santa Maria de Esmoriz (fundado a 20 de Março de 1986, a comemorar os seus 40 anos), o Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda (fundado a 29 de Junho de 1981 e formalizado a 16 de Março de 1990), o Grupo de Folclore da Casa do Povo de Válega (fundado a 15 de Março de 1989) sem informação no site de relevo, o Grupo de Folclore Jusã (fundado a 9 de Julho de 2012), o Grupo Folclórico As Morenitas de Ovar (Fundado a 29 de Junho de 1960), o Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar (Fundado a 11 de Agosto de 1979) sem página nas redes ou site conhecidos, o Grupo Folclórico As Varinas de Ovar (Fundado a 28 de Agosto de 1960) com blog parado desde 2008, o Grupo Folclórico da Região de Ovar, o Grupo Folclórico O cancioneiro de Ovar (Fundado a 16 de Maio de 1980) o Grupo Folclórico Os Fogueteiros de Arada (fundado a 3 de Junho de 1979) o Grupo Folclórico Os Moliceiros de Ovar (fundada a 14 de Agosto de 1980) e o Rancho Folclórico da Ribeira de Ovar ( fundado em 1960)
(* Clique no nome de cada Rancho para ver a sua presença digital)
É verdade que é no verão que se realizam os festivais e outros modelos de apresentação. Muitos deles participam em eventos similares pelo país e até em festivais internacionais. Alguns têm mostras, casas e museus etnográficos nas suas associações.
Ao que nos apercebemos, não dialogam muito uns com os outros, e o folclore que podia ser uma constante de agenda na região, acaba por ser um evento menor, muitas vezes com a realização simultânea de eventos ou até de ranchos, diminuindo a frequência.
O ano passado um jovem de 17 anos, Pedro Oliveira, desenvolveu um projeto relacionado essencialmente com os trajes, evoluindo para danças, com o mérito absoluto de envolver umas dezenas de jovens na faixa dos 20 anos, e assim incutir-lhes a paixão pela etnografia. E surgiram críticas, algumas num tom demasiado paternalista outras absolutamente mal educadas.
Face ao panorama aqui descrito, devíamos rejubilar de alegria por alguém esta a lanças as sementes para a preservação desta cultura, desta identidade.
Foi aliás o que fez Isabel Silvestre em Manhouce, quando reuniu os jovens da aldeia e recuperou muito da cultura da serra da Freita em 1978. Chegou a todo o mundo, chegou a cantar com Rão Kiao e Rui Reininho e era apenas uma professora primária.
Vamos juntar-nos todos pela identidade vareira?
Os ranchos e as associações que os albergam deviam dar mais importância à comunicação senão um dia vão atuar apenas para amigos e familiares até desaparecerem ou se cruzarem com um qualquer Pedro Oliveira.
Leia Também “Etnografia e Ranchos” e “As casas do Folclore“
