Um corte de grandes dimensões das árvores do parque merendeiro do Buçaquinho em Cortegaça reacendeu a comunicação em redor do Pinhal das dunas de Ovar.
Graças a um imagem de Inteligência artificial do presidente da junta de moto serra na mão, o calor nas redes sociais aumentou, e houve ataques e defesas, sendo que o recurso a este esquema nas redes sociais terá sido rejeitado por todos.
Os cortes do Pinhal têm sido alvo de várias intervenções com o ponto alto nas eleições autárquicas de Outubro passado.
Várias têm sido as propostas e moções apresentadas na Assembleia Municipal de Ovar, e excluindo alguns detalhes, todas coincidem na vontade de parar cortes, rever plano florestal e preservar ao máximo esta mancha florestal.
Só a política que se exerce no concelho permite a algumas forças manter ataques cerrados aos autarcas, quando já, por diversas vezes, se explicou que essas decisões cabem apenas ao ICNF.
Mas a verdade é que doi ver a mata desaparecer e mais ainda ben sempre se perceber a razão de cada abate.
Publicamos hoje os dois documentos, o email que a Mais Pinhal enviou a questionar mais este episódio e o comunicado emanado pela Câmara Municipal de Ovar e junta de freguesia de Cortegaça.
Associação + Pinhal pede explicações sobre o abate de árvores no Parque de Merendas do Buçaquinho
Os recentes cortes de árvores no Parque de Merendas do Buçaquinho motivaram um pedido de explicações da Associação + Pinhal à Câmara Municipal de Ovar, à Junta de Freguesia de Cortegaça e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Em carta enviada àquelas entidades, a Associação de Defesa do Pinhal de Ovar manifestou “profunda preocupação e indignação relativamente ao abate”, num local que “representava, há várias décadas, um importante local de convívio, lazer e contacto com a natureza para a população local e visitantes”.
Na comunicação, a + Pinhal salienta ainda “o valor ambiental e paisagístico” daquele espaço, “com forte significado social e comunitário, integrado no património natural do concelho” de Ovar.
Neste sentido, a Associação questionou aquelas entidades sobre se houve engano no local do corte, e este se reportou “à Hasta Pública N.º 04/DRCNFC/2025, Lote nº 105/2025, com preço base de licitação de 14 000,00 €” ou se “referia a outro parque de merendas de Cortegaça e não ao Parque do Buçaquinho”.
A + Pinhal questiona as entidades responsáveis sobre os critérios utilizados para determinar o corte extensivo da área e pede acesso “aos estudos, avaliações fitossanitárias ou relatórios técnicos devidamente assinados pelo técnico responsável, que fundamentaram a decisão”.
Questiona a existência de pareceres independentes ou avaliações complementares para a decisão dos cortes e se há um “eventual” plano de recuperação ecológica e paisagística do local.
“Os valores monetários obtidos do corte” das árvores mereceram também perguntas da Associação, se foram “destinados à Junta de Freguesia de Cortegaça e ao ICNF e qual o reinvestimento previsto na área afetada”.
O +Pinhal defende que a população de Cortegaça e do concelho de Ovar “tem o direito de conhecer os fundamentos técnicos da decisão e de ser envolvida na discussão sobre o futuro daquele espaço”.
Câmara Municipal de Ovar e Junta de Freguesia de Cortegaça
Nos últimos dias foi efetuado o corte de arvoredo no Parque Merendeiro do Buçaquinho, na Freguesia de Cortegaça, por parte do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, IP (ICNF).
Considerando a importância do espaço para o Município, a Câmara Municipal de Ovar e a Junta de Freguesia de Cortegaça esclarecem:
O corte de arvoredo ocorrido no Parque de Merendas do Buçaquinho é da responsabilidade do ICNF e resultou de adjudicação efetuada na hasta pública nº 04/DRCNFC/2025, de dezembro de 2025, com o valor base de licitação de € 14.000,00.
Através deste procedimento de hasta pública, o ICNF deu cumprimento ao corte e retirada do material lenhoso remanescente do Parque de Merendas por força do Decreto nº 18/2001, de 24 de maio, através do qual foi efetuada a exclusão do Regime Florestal Parcial da área de 8 hectares dos Talhões 4 e 5 do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar – Polígono Norte, e que se destinaram à instalação dos equipamentos construídos no local e que integram a designada Zona Lúdico-Desportiva de Cortegaça.
Nos termos do artigo 2º, 1 deste Decreto, a entrega da parcela de terreno em causa à Junta de Freguesia de Cortegaça, sua proprietária, apenas se concretizaria “após a retirada do material lenhoso nela existente, cabendo à Direção Regional de Agricultura da Beira Litoral a sua venda e respetiva repartição de receitas, nos termos previstas na lei.”.
Ou seja, o corte de arvoredo efetuado estava previsto desde o ano de 2001, foi sendo parcialmente executado ao longo dos anos, pelo ICNF – que sucedeu, nesta responsabilidade à Direção Regional de Agricultura da Beira Litoral –, tendo a conclusão da retirada do arvoredo sido agora concretizada.
Com o corte do arvoredo remanescente ocorrido, o ICNF deixa de ter qualquer jurisdição sobre o local, concretizando-se a entrega definitiva do terreno à sua legítima proprietária – a Junta de Freguesia de Cortegaça, sem condicionantes impostas por aquele organismo.
Esta área está excluída do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, desde 2001, o corte do arvoredo não resultou da execução do Plano de Gestão Florestal do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, não sendo por ele abrangido, e não se encontra(va) nos poderes da Câmara Municipal de Ovar ou da Junta de Freguesia de Cortegaça disciplinar ou impedir o corte e retirada das árvores do local.
O corte do arvoredo remanescente concretizado – que englobou, na sua maioria, acácias da austrália, espécie invasora cujo controlo é obrigatório – resultou da conjugação de dois fatores, da exclusiva responsabilidade do ICNF:
. cumprimento definitivo da determinação do Decreto nº 18/2001, de 24 de maio;
. estado do arvoredo, existindo falta de condições de segurança para pessoas e bens de vários exemplares arbóreos, com destaque, para além das acácias, os pinheiros e eucaliptos antigos, num total de 13 árvores, agravadas pelas condições climatéricas dos últimos meses, que se encontram documentadas em relatório técnico elaborado.
A Câmara Municipal de Ovar e a Junta de Freguesia de Cortegaça reconhecem e acompanham o elevado significado identitário do Parque Merendeiro do Buçaquinho para a população de Cortegaça, assim como a elevada procura do espaço por famílias e grupos provenientes de vários pontos do concelho, da região e do país para aí desfrutarem do convívio ao ar livre, da natureza e das qualidades ambientais de excelência que o Buçaquinho e a sua envolvente oferecem.
Neste sentido, as duas Autarquias Locais encontram-se a desenvolver um projeto de requalificação, valorização e dignificação do espaço, cujo programa preliminar está em fase de conclusão, que, preservando a história e as suas memórias, projetará o Parque Merendeiro do Buçaquinho como uma verdadeira referência natural, garantindo-se a reabilitação ambiental e paisagística do local e da envolvente e o usufruto saudável e harmonioso do meio ambiente por todas as gerações, no respeito pela sua função principal de parque de merendas e de contacto privilegiado com a natureza.
Nos próximos dias, a Junta de Freguesia de Cortegaça iniciará os trabalhos de limpeza e de garantia de segurança do local, na certeza de, a breve prazo, o espaço ser devolvido à população, em condições dignas de utilização e que serão, seguramente, motivo de orgulho para todos.
12 de maio de 2026
O Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva
O Presidente da Junta de Freguesia de Cortegaça, Paulo Pinheiro
Nota da redação:
A Madeira cortada no Pinhal de Ovar é parte da utilizada pela indústria sediada no concelho, nomeadamente nas necessárias paletes para o transporte da maioria dos produtos aqui fabricados. É, por isso, também devolvida à economia circular necessária à vitalidade de OVAR.
Ninguém defende os cortes do pinhal, menos ainda de forma tão abrangente, mas pela cristalina verdade, este outro ponto de vista, raramente auscultado, deverá servir para entender que esta madeira é reciclada e reutilizada. E por isso todos querem um parque florestal pujante e renovado.