Propõem-se promover produtos, regiões, cultura e histórico. O nome confrarias vem do latim e junta “cum”-Junto e “Frater”-irmão, tendo começado como irmandades religiosas ou laicas com o propósito espiritual e de assistência.
O maior número de Confrarias pertence ao distrito de Aveiro e são predominantemente gastronómicas e enológicas.
Ovar viveu este sábado 20 de junho o XII Capítulo, uma festa solene e pública da confraria, uma oportunidade de receber outras confrarias e amigos e de dar a conhecer a gastronomia cultura e identidade, da Confraria Gastronómica do Concelho de ovar, a que compareceram mais de cem confrades do país e do estrangeiro, enchendo as ruas da cidade de capas (símbolo de proteção e união), escapulários (pendurada ao pescoço identifica cada confrade e representa a história, a identidade e missão da Confraria) pins (às dezenas como mostra da ligação a outras confrarias) e instrumentos simbólicos da gastronomia de várias regiões.



No salão nobre da Câmara de ovar decorreu a cerimónia protocolar com a presença do vereador António Bebiano, que acabou por ser entronizado como confrade embaixador, em representação da edilidade, a presença de presidentes de junta ou seus representantes de Arada, Esmoriz, São João de Ovar e Ovar.
Entre outros momentos de entronização de confrades embaixadores, destaque para a cerimónia que aconteceu com a entronização de Serge e Maruse Gabbiani da confraria francesa Confrérie Gastronomique du Cêpe de la Pointe de Medoc (Bordéus- França); e ainda Afonso Moreira Duarte.



Antes da cerimónia oficial nos paços do concelho ainda houve tempo para que a companhia teatral da Contato de Ovar, fizesse uma brilhante encenação de “O canto da Sereia” de Júlio Dinis, que é o patrono da confraria Gastronómica de Ovar.
Todos os “Capítulos” terminam à mesa. E desta vez o repasto aconteceu em Valdágua na Associação recreativa e desportiva, trazendo à mesa pataniscas de bacalhau, iscas de fígado, carapau frito, arroz de fressuras, melão e presunto, como entradas, sopa de peixe e carne da raça Marinhoa. Uma diversa oferta de sobremesas, mas lideradas por exemplares de vários produtores de pão de ló de Ovar, a verdadeira cereja no topo do bolo.



Conheça a lista de confrarias presentes, mas saiba também que a confraria anfitriã tem como Arrais de Mar (o presidente da associação) Rui Pires da Silva e Dilma Pinho como Arrais de Terra (a presidente da mesa da assembleia geral).
Integra ainda Francisco Casaca, José Ferreira, Fátima Oliveira, Umbelina Coelho, António Pacheco, Bruno Santos, Manuel Almeida, Gabriela Ribeiro.
As confrarias baseiam-se no espírito de entreajuda e no gosto pelo convívio social, mas o foco á a aprendizagem conjunta e a troca de experiências.
Ovar tem, para além da confraria gastronómica do concelho de Ovar, fundada em 2010, a anfitriã e a Confraria dos rojões de Válega.
Discretamente participou em representação da confraria da Sopa do Vidreiro a ex-ministra da justiça do Governo de António Costa, Catarina Sarmento e Castro.
Aproveitando a presença de tantas confrarias, no seu discurso, Rui Pires da Silva sublinhou “As confrarias existem para defender produtos, tradições, territórios e identidades. É isso que lhes dá sentido e dignidade” e aponta alguns caminhos para todo o setor: “acredito sinceramente que chegou o momento de deixar de criticar por desculpas e começar a construir. Chegou o momento de unir o movimento confrádico. De o recentrar naquilo que importa: as confrarias, e não quem se serve delas. De colocar os produtos, os territórios, as tradições e a cultura no centro da ação. De devolver dignidade, transparência e propósito ao movimento confrádico português.
As confrarias são muito mais do que grupos de convívio. São verdadeiros agentes culturais. São guardiãs de património imaterial. São promotoras de turismo gastronómico. São dinamizadoras de economia local. São, muitas vezes, o último reduto de tradições que, sem elas, desapareceriam. E isto tem impacto real: impacto cultural, impacto social e impacto económico”.
Os presentes foram: Confraria dos Ovos Moles; Confraria da caldeirado do peixe e do camarão de Espinho; Confraria do Chicharro; Confraria da Sopa do Vidreiro; Confraria do Vinho de Lamas; Confraria de Sabores Poveiros; Confraria das Febras e da Enogastronomia de Mangualde; Confraria dos Rojões de Válega; Confrérie Gastronomique du Cêpe de la Pointe de Medoc (Bordéus- França); Confraria da vitela Assada à moda de Fafe; Confraria da Fogaça; Confraria do Arroz Doce; Confraria Gastronómica As sainhas; Confraria da Broa de Avanca; Confraria do Frango na Púcara; Confraria Camoniana de Ílhavo; Confraria Gastronómica de Santo Amaro, Estarreja; Confraria do Bolo Podre e gastronomia de Montemuro; Confraria Nabos e Companhia; Confraria do Arroz Doce de Maiorca; Confraria do Torresmo Beirão de Vila Franca da Beira; Confraria Gastronómica do Frango do Campo de Oliveira de Frades; Confraria do Arroz e Sabores de Azeméis; Confraria da Lampreia de Entre os Rios; Confraria dos Ungulados, Javali e Castanha; Confraria do pão de Regueifa e do Biscoito de Valongo; Confraria do Frango da Guia; Confraria do Arinto de Bucelas; Confraria Gastronómica e enófila de Terras de Carregal do Sal e a Confraria da Foda de Monção.
O Notícias de ovar quis entender esta designação e a resposta foi surpreendente. Tradicionalmente em Março, em Monção acontece uma feira para aquisição de animais para os repastos da páscoa, e o cordeiro é a base do prato de maior referência local. Ora, os pastores algum tempo antes da feira, acrescentavam sal ao pasto, obrigando os animais a consumir muita água. Ganhavam peso e volume. Mas depois em casa dos seus compradores mingavam. Então o povo dizia-se alvo burla, alvo de Foda.

