Análise da População
• Ovar enfrenta um duplo desafio demográfico, associado a um acentuado envelhecimento populacional e à perda de população jovem, com potenciais impactos na coesão social, na sustentabilidade económica e na organização territorial.
• O crescimento migratório recente e o aumento da população estrangeira representam, contudo, uma dinâmica positiva, com capacidade para atenuar a tendência de perda populacional.
• A evolução das estruturas familiares aponta para uma redução da dimensão dos agregados e para a prevalência crescente de famílias unipessoais ou de pequena dimensão, com implicações significativas nas políticas sociais, habitacionais e urbanísticas.
• A manutenção de saldos naturais negativos, associada ao agravamento dos índices de dependência e envelhecimento, evidencia uma vulnerabilidade demográfica estrutural, com efeitos duradouros no planeamento e gestão do território.
Qualificação e Emprego
Ovar evidencia um aumento do rendimento do trabalho e da qualificação da população residente. Contudo, estes progressos ainda têm um impacto limitado na renovação da população ativa e no esbatimento das desigualdades salariais entre profissões. As alterações observadas ao nível da remuneração e a redução da disparidade salarial sugerem, no entanto, uma tendência positiva nas condições económicas da população.
• Apesar da diminuição da taxa de desemprego geral, o desemprego jovem permanece crítico, com maior incidência nas freguesias com níveis de escolaridade mais baixos.
• A terciarização da economia local é evidente, embora com expressões diferenciadas entre freguesias. A baixa capacidade de renovação da população ativa e a diminuição da taxa de atividade reforçam a necessidade de políticas eficazes de atração e retenção de população jovem qualificada.
• Identificam-se desafios no domínio da educação pré-escolar, que sugerem dificuldades de acesso e cobertura dos serviços educativos nos primeiros anos de escolaridade, comprometendo a equidade territorial nesta fase formativa.
Atividade Económica
• Ovar apresenta um tecido económico diversificado e em crescimento, embora enfrente desafios persistentes ao nível da modernização e da competitividade, sobretudo no contexto da Sub-região em que se insere.
• Apesar da progressiva terciarização da economia, o setor secundário reforçou a sua importância na estrutura económica local, sendo atualmente o principal empregador do concelho.
• A atividade agrícola revela sinais positivos de revitalização, configurando uma oportunidade estratégica para o reforço das funções produtivas e ecológicas do território.
• O turismo afirma-se como um setor dinâmico e resiliente, evidenciado pelo significativo crescimento da oferta de alojamento turístico. No entanto, persistem desigualdades territoriais internas, marcadas pela dicotomia litoral/interior.
• A produção de riqueza tem evoluído positivamente, embora a competitividade relativa de Ovar na Sub-região apresente sinais de estagnação, principalmente no que respeita à capacidade exportadora.
Qualidade de Vida e Bem-estar
• Ovar apresenta níveis elevados de acessibilidade à educação básica, mas apresenta debilidades no acesso equitativo aos cuidados de saúde primários — apenas cerca de 40% da população reside a menos de 15 minutos de unidades de cuidados de saúde primários —o que evidencia assimetrias e desafios no acesso a equipamentos de utilização coletiva.
• Apesar de se observar uma tendência positiva na redução da pobreza e da exclusão social, o concelho mantém indicadores de vulnerabilidade social superiores à média da Sub-região, o que requer atenção específica no planeamento de políticas sociais.
• A desigualdade no acesso aos serviços de saúde, a par da elevada proporção de agregados em risco de pobreza, confirma a existência de fragilidades territoriais específicas, com especial incidência em áreas periféricas e envelhecidas.
Transportes e Mobilidade
• Ovar apresenta um modelo de mobilidade fortemente dependente do transporte individual motorizado, reforçado pelo aumento da taxa de motorização e pela dispersão territorial dos locais de residência e trabalho.
• As infraestruturas para modos suaves, embora contribuam para o desenvolvimento da mobilidade sustentável no concelho, mantêm-se fragmentadas e concentradas maioritariamente na faixa litoral, estando mais vocacionadas para atividades de lazer do que para a utilização em viagens pendulares, o que poderá justificar a baixa adesão a estes modos de transporte.
• A sinistralidade rodoviária, ainda que com tendência de redução no número de acidentes com vítimas, continua a representar um desafio relevante, sobretudo em áreas urbanas densas e corredores de tráfego intenso.
• As viagens pendulares revelam um aumento das deslocações para fora do concelho — atualmente mais de 1/3 do total —, o que poderá justificar, em parte, a preferência pelo transporte individual, com impactos ao nível da pressão sobre a infraestrutura viária e da necessidade de reforçar a oferta de alternativas sustentáveis de mobilidade.
Alterações Climáticas e Riscos
• Relativamente às alterações climáticas e aos riscos naturais e tecnológicos, o concelho apresenta um quadro territorial de vulnerabilidade acentuada, com especial incidência na faixa litoral, nas áreas de risco de cheias e nos estabelecimentos abrangidos pelo regime de Prevenção de Acidentes Graves (PAG).
• Verifica-se um aumento da artificialização das zonas inundáveis em solo urbano, atingindo cerca de 8% da área classificada, o que contribui para o agravamento do risco de cheias e galgamentos na zona costeira.
• Cerca de 9% do parque edificado do concelho localiza-se em faixas de salvaguarda ao risco costeiro, destacando-se o aglomerado balnear de Esmoriz, devido ao aumento da densidade edificada nestas zonas vulneráveis.
• A pressão urbanística sobre zonas críticas, nomeadamente nos aglomerados de praia de Esmoriz e do Furadouro, agrava os riscos costeiros e hidrológicos, exigindo medidas urgentes de mitigação e adaptação territorial.
Verifica-se uma redução do número de ocorrências de incêndio, embora se registe um aumento do nível de perigosidade, o que requer atenção redobrada em matéria de gestão de combustíveis e planeamento florestal.
• As emissões de GEE e a forte dependência do transporte individual contribuem para a crise climática, sendo necessário investir em políticas locais de descarbonização e estratégias de mitigação das alterações climáticas.
• O concelho regista uma concentração significativa de unidades industriais perigosas em áreas urbanas, que, apesar de integradas em espaços de atividades económicas, constituem um risco relevante, impondo-se, por isso, o reforço do planeamento, da monitorização e do controlo rigoroso das respetivas zonas de perigosidade. O Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil encontra-se desatualizado, não existindo PEE para todas os estabelecimentos abrangidos pela Diretiva SEVESO.
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