Um modelo de saúde em transformação
Para o utente o importante é que tenha cuidados de saúde o mais rápido e próximo possível. O SNS foi uma revolução no acesso aos serviços e dotou o país de maior diversidade e densidade.
Mas a iniciativa privada, e sobretudo os seguros de saúde, vieram adensar mais ainda as alternativas de acesso, embora apenas para os financeiramente mais favorecidos.
A questão dos nossos dias é saber se devemos conjugar as duas ofertas ou reestruturar o SNS deixando os privados de fora.
Há duas correntes claras, contra e a favor.
Mas para o utente, se o estado estabelece parcerias com os privados e os recomenda pagando esses serviços, é porque entende ser a opção mais eficaz, e sempre é o estado que paga e não o utente. Por isso há que considerar que a saúde deve estar ao alcance de todos independentemente de quem o estado utiliza para o efeito.
Países como o Luxemburgo deixam o utente escolher o seu prestador de serviços e pagam-lhe na integra, ou quase, os serviços prestados. Nos Estados Unidos não há serviços públicos e a saúde é de acesso muito limitado.
Portugal é dos países mais desenvolvidos em termos de saúde.
Mas há falta de recursos humanos clínicos e toda a estratégia fica fragilizada.
No entanto, num olhar independente, há três segmentos da saúde. A prevenção, que deveria ser a que mais importância releva, onde há formação dos utentes focada nos seus hábitos e nos cuidados a ter consigo próprio. Os cuidados básicos, que em caso de doença disponibiliza clínicos, diagnósticos e intervenção. E as urgências, que no limite obrigam a uma intervenção rápida em situação de emergência.
E a estratégia em execução diferenciam cada uma destas áreas de intervenção.
A prevenção é cada vez mais evidente nas diversas campanhas de esclarecimento, nas rubricas sobre tudo e todos na comunicação social, e nas diversas unidades de saúde nas consultas regulares de rotina dos médicos de família.
Os cuidados de saúde primários asseguram a intervenção em caso de doença e são as unidades com mais estabelecimentos ao longo de todo o país, fragilizadas nas regiões mais remotas.
As urgências são hoje diferentes, sobretudo depois da criação do INEM e da linha saúde24.
Hoje quando um utente tem queixas da sua saúde a primeira recomendação é da utilização da linha saúde24. Aqui é feita uma primeira triagem e o utente é direcionado para o serviço mais rápido e mais próximo, sem mesmo ter que sair de casa e correr para uma demorada sala de espera.
O Utente pode ser aconselhado a uma medicação de intervenção, pode-lhe ser proposta uma teleconsulta, ou marcada consulta para a sua unidade de saúde, ou mesmo der remetido para uma urgência hospitalar e em caso de notória emergência reencaminhado para o 112.
Este modelo retira “falsas” urgências dos hospitais e modera comportamentos cívicos erróneos dos utentes. Muitas urgências de hospital são lotadas de utentes com doenças sazonais ou de rotina, pelo seu próprio comportamento.
Assim, o modelo de saúde que temos aposta na prevenção ou na rotina e ainda em intervenção na saúde através das unidades de saúde básicas (570 usf e 2000 outras unidades). Os Hospitais estão hoje agrupados em Unidades de Saúde locais que são 39, sendo que cada ULS pode ter mais do que uma unidade hospital.
Em Ovar, integrado hoje na ULS de entre Douro e Vouga, há três hospitais, o central na Feira, Hospital de São Sebastião, Oliveira de Azeméis, Hospital de São Miguel, Hospital de São João da Madeira e Ovar Hospital Dr. Francisco Zagalo.
No Hospital de São Sebastião são realizadas consultas nas especialidades de Anestesiologia, Cardiologia, Gastrenterologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica, Cuidados Paliativos, Gastrenterologia, Ginecologia, Imunohemoterapia, Medicina Física e de Reabilitação, Medicina Interna, Neonatologia, Neurologia, Nutrição, Obstetrícia, Oftalmologia, Oncologia Médica, Ortopedia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Pneumologia, Psicologia Clínica, Psiquiatria, Reumatologia e Urologia.
No âmbito da Consulta Externa são realizados exames especiais de Cardiologia, Pneumologia, Gastrenterologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Ginecologia, Obstetrícia e Urologia.
No Hospital de São João da Madeira são realizadas consultas nas especialidades de Anestesiologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica, Ginecologia, Medicina Interna, Medicina Física e de Reabilitação, Oftalmologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia, Psicologia Clínica e Psiquiatria.
No âmbito da Consulta Externa são realizados exames especiais de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cardiologia.
No Hospital de Oliveira de Azeméis são realizadas consultas nas especialidades de Anestesiologia, Cardiologia, Cuidados Paliativos, Ginecologia, Medicina Interna, Neonatologia, Neurologia, Oncologia Médica, Pediatria, Pneumologia e Reumatologia.
No âmbito da Consulta Externa são realizados exames especiais de Pneumologia e Cardiologia.
O Hospital de Ovar dispõe de consultas externas, meios complementares de diagnóstico e terapêutica, bem como valências clínicas ajustadas ao seu nível de diferenciação, trabalhando em estreita cooperação com outras unidades hospitalares da região sempre que se justifica a referenciação de casos mais complexos. Destaca-se ainda o acompanhamento em áreas específicas, como a pediatria em regime de consulta, contribuindo para reduzir a necessidade de deslocações a hospitais mais distantes.
O Sistema Nacional de Saúde está estruturado a pensar nas 19 ULS e cada uma tem um raio de ação que assegura, no mínimo, uma urgência, um hospital de apoio com consultas externas, centros de saúde e Unidades de Saúde Familiar. As farmácias seguem a mesma lógica, há farmácias em quase todas as freguesias, abertas cerca de 10 horas por dia, há farmácias por concelho com horário alargado noturno e há farmácias abertas 24h junto das unidades de urgência.
Não sendo o ideal, e tendo o problema da falta de recursos, a saúde está estruturada e apenas é preciso uma mudança cultural dos utentes, no sentido de serem mais preventivos.