Sempre rodeado de amigos jogou Basquete no Ovarense, dedicou-se ao futebol, passou pelo Avanca e acabou no Sanjoanense, num e noutro sempre com treinos diários. Começou com três anos, mas foi depois dos catorze que levou a coisa mais a sério.
O Furadouro é o centro do seu mundo.
Fez os primeiros ciclos nas escolas de Ovar, mas o secundário no colégio dos Carvalhos. Diz-se grato por ter frequentado um colégio particular deste prestigio e gratuito, porque o estado apoia o curso que o colégio lhe permitiu frequentar.
Rumou à católica para frequentar economia. E parou os estudos porque o empreendedorismo, a iniciativa, a sede de independência, mas também o de quer inovar e contribuir para a sociedade, levaram-no a avaliar e estudar o projeto que agora o coloca na capa dos jornais, a começar pelo económico Eco.
O Matias Santos é tão normal com diferente.
Fala do apoio dos pais, mas nunca de dinheiro. Deram-lhe energia, confiança, prato cheio e teto, e mimo, mesmo muito mimo. É o mais novo de dois. A mãe está no projeto da fábrica de sapatos que nasce das cinzas da aerosoles. O pai constrói.
A verdadeira energia do Matias vem da capacidade de ser ele a fazer. Com o que aprendeu e com o que enriqueceu depois, foi ele que desenvolveu a plataforma que o traz à ribalta.
Mas o ouro vem da sua ideia. (leia no fim deste texto o artigo do Jornal ECO que foi o primeiro a descrever esta iniciativa e que publicamos na integra)
Permitam-me corrigir, o ouro é ele mesmo. Um símbolo para os que o rodeiam. O seu negócio é vencedor e vai correr bem. Mas nem é isso que importa, importa ter abraçado o desafio. Ter vencido. Ter 19 anos.
Não tem nenhuma relação particular com a igreja, mas os seus amigos fazem parte do grupo de jovens do Furadouro, e esse ambiente também o contagia. Diz que dentro do seu, muito pouco tempo livre, arranjaria tempo para trabalho social. Guiado pela nossa conversa falámos de apoiar e visitar idosos isolados. Falámos de tanta coisa positiva.
Agora o Matias trabalha a juntar marcas e fábricas e a defender as nossas cores, a qualidade dos nossos materiais e das pessoas que os manuseiam. As pessoas são o fulcro da sua visão.
Despedimo-nos de duas horas de conversa fãs do Matias. E ele ainda teve tempo para nos confidenciar que anda agora entretido a aprender Golfe…penas os amigos serem troles na matéria.
Conheça Também aqui o Pedro Oliveira que desenvolveu uma plataforma de proteção etnográfica e a Rita Barbosa que desenvolveu a aplicação Guardião de prevenção e proteção de burlas no telemóvel.
Artigo Publicado no Jornal ECO
A NovaSupplier reúne 30 fábricas e 120 marcas registadas numa plataforma que aproxima marcas internacionais da indústria têxtil portuguesa.
A ligação ao setor têxtil já vinha de trás. Natural de Ovar, cresceu num ambiente onde a indústria fazia parte das conversas do dia-a-dia. A mãe é acionista da Move On e os avós trabalharam toda a vida no setor.
O jovem empreendedor explica que “ao longo de várias gerações, as fábricas de Barcelos, Guimarães, Braga e do Vale do Ave produziram peças para algumas das maiores marcas do mundo. Os seus nomes raramente aparecem nas etiquetas, mas o seu trabalho chega aos quatro cantos do planeta”.
“A qualidade está lá. A capacidade está lá. O que faltava era uma forma simples de as marcas chegarem às fábricas “, resume.
Segundo o jovem empreendedor, grande parte das marcas independentes estrangeiras não consegue aceder diretamente aos fabricantes portugueses. Muitas vezes dependem de agentes e intermediários que fazem a ponte entre as duas partes, cobrando comissões que podem variar entre 10% e 20%.
Foi precisamente para eliminar essa barreira que criou a NovaSupplier apenas com 19 anos. Fundada no final de 2025, a startup funciona como uma plataforma digital de sourcing que permite a qualquer marca, em qualquer parte do mundo, encontrar o fabricante português mais adequado ao seu projeto, pedir orçamentos, comunicar diretamente e efetuar pagamentos.
“O objetivo da NovaSupplier é ligar marcas de vestuário europeias diretamente às fábricas portuguesas, sem nenhum agente ou intermediário pelo meio”, explica Matias Santos.
A plataforma reúne atualmente cerca de 30 fábricas portuguesas e mais de 120 marcas registadas.
O fundador desenvolveu praticamente toda a programação da NovaSupplier recorrendo a ferramentas de Inteligência Artificial. Paralelamente, fez questão de conhecer pessoalmente cada uma das unidades industriais presentes na plataforma. “Fui visitar todas as fábricas que estão na NovaSupplier. Queria perceber realmente como funciona a indústria”, afirma.
A plataforma funciona como uma montra digital da indústria têxtil nacional. Cada fabricante dispõe de um perfil detalhado com fotografias, histórico da empresa, mercados de exportação, capacidade produtiva, número de colaboradores, materiais utilizados e tempos médios de produção.
Depois de criar uma conta, a marca descreve o projeto que pretende desenvolver. Com base nessa informação, a NovaSupplier recomenda os fabricantes mais adequados. Quando existe um “match”, é criado um canal de comunicação direta semelhante a um WhatsApp.
“A partir daí, a comunicação é a chave do sucesso. Debatem-se orçamentos, amostras, protótipos e todos os recursos necessários para uma relação de sourcing”, explica ao ECO/Local Online o empreendedor.
Segundo Matias Santos, a atividade tem vindo a crescer de forma consistente. “Todos os dias temos marcas novas a entrar, a interagir com as fábricas e a comunicar. Algumas já estão em processo de protótipos, outras em orçamentos e algumas prontas para avançar para a produção.”
Muitas destas empresas, garante, nunca tinham considerado Portugal como destino de produção. “São marcas que normalmente comunicavam com fábricas na China ou na Turquia e que nem sequer tinham Portugal no radar. Encontraram a NovaSupplier e estão a chegar encomendas novas para Portugal.”
O fundador da startup adianta que grande parte dos clientes são marcas emergentes do Reino Unido, Estados Unidos, Holanda e Austrália, sobretudo nos segmentos de streetwear e lifestyle. Muitas estão a desenvolver a sua primeira coleção.
A NovaSupplier cobra uma comissão de 3,5% às fábricas por cada transação realizada através da plataforma.
Para já, a prioridade passa por consolidar o produto e reforçar a confiança dos utilizadores. “No médio prazo, queremos ter um produto que satisfaça o mercado, que satisfaça as fábricas e que elas sintam confiança para utilizar a plataforma no dia-a-dia, mas também que responda às necessidades das marcas ao longo de todo o processo”, afiança Matias Santos.
O plano passa por continuar a crescer no setor do vestuário, mas o empreendedor já olha para novas áreas da indústria portuguesa. O calçado surge como o próximo passo natural para a expansão da plataforma.
A startup conquistou também o voto de confiança de um investidor internacional. No final de 2025, entrou no capital da empresa um investidor norte-americano residente em Portugal, através de um investimento de cinco dígitos e da aquisição de uma participação minoritária. O fundador prefere, para já, não divulgar mais detalhes sobre a operação.
Mas a ambição de Matias Santos vai além do sourcing. “Queremos mostrar ao mundo que algumas das melhores fábricas da Europa estão em Portugal e tornar esse acesso muito mais simples para a próxima geração de marcas.”
Se conseguir cumprir essa promessa, a NovaSupplier poderá tornar-se numa porta de entrada digital para uma indústria que exporta cerca de 5,5 mil milhões de euros por ano, mas que continua a depender, em grande medida, de redes de contactos e relações pessoais para conquistar novos clientes.”
