Acompanhamos um inspector marcado pela perda, endurecido pela vida e descrente num sistema que já não reconhece. Consumido pela morte do filho, é chamado a investigar o homicídio de um jovem num bairro lisboeta em transformação mas, diante do corpo, algo nele colapsa. Entre ataques de pânico, uma relação em ruínas e uma investigação interna que ameaça destruí-lo, Chavarino mergulha num caso que rapidamente deixa de ser apenas policial. À medida que a verdade se adensa, também ele se confronta com os limites do seu próprio sentido de justiça e com a possibilidade inquietante de ter ido longe demais.
Ao ler A Caixa do Cisne, somos confrontados com uma pergunta clássica da moral teleológica: até onde podemos ir em nome da justiça? E, ainda, uma outra bastante actual: como sobreviver num mundo onde a violência é a única linguagem que parece ser compreendida?
Afonso Cruz, no prefácio
Que história é esta?
«Inspector Chavarino – A Caixa do Cisne é um romance ao estilo do policial negro dos anos dourados de Hollywood, dos que Raymond Chandler escrevia e Humphrey Bogart protagonizava. Um detetive amargurado, cínico e moralmente ambíguo: nem herói perfeito, nem vilão absoluto, a lembrar algumas obras de Simenon. Chavarino é isso mesmo, um inspetor duro, com um código de conduta muito próprio e com a cabeça e o coração cheios de demónios. Com uma linguagem rude, grosseira mesmo, mas num português de grande qualidade, Caixa do Cisne é, acima de tudo, um romance sobre a vida e sobre a perda: a morte, o (des)amor, a dor e a (in)dignidade. Um livro reflexivo, que se lê com prazer da primeira à última página, e em que se fica sempre com a dúvida sobre onde acaba o bem e começa o mal. Um livro muito recomendável.»
Declaração do Presidente do Júri do Prémio Literário Orlando Gonçalves, António da Costa Neves

O autor
RICARDO FRANCO estudou Filosofia e Ensino da Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e Cinema —, com especialização em Dramaturgia e Realização —, na Escola Superior de Teatro e Cinema, na FCSH e na RESTART Creative Education. Formou-se ainda em Teatro, na Academia INATEL e no Teatro de Carnide. Foi bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia em Iniciação à Investigação no Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa. Desenvolve projectos independentes de cinema desde 2015, com várias obras realizadas até à actualidade. É professor de Filosofia no ensino secundário desde 2010, tendo também leccionado Filosofia para Crianças entre 2017 e 2023. Paralelamente, encenou diversas peças de teatro, afirmando um percurso marcado pela intersecção entre pensamento, escrita e criação artística.
