O Grupo de Cidadãos Eleitores AGIR – Pelo Desenvolvimento da Nossa Terra, terceira força política mais votada para a Câmara Municipal de Ovar nas eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, apresentou as contas da campanha junto da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, cumprindo o dever legal de prestação de contas aplicável às candidaturas eleitorais.
Nos termos da Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais, os grupos de cidadãos eleitores são formas de participação cívica criadas para apresentação de candidaturas autárquicas. Não são partidos políticos, nem estruturas permanentes por natureza. Por isso, concluído o processo eleitoral e apresentada a respetiva prestação de contas, fica encerrado o ciclo formal da candidatura. (O Artigo 16º da lei Orgânica nº 1/2001)
O AGIR poderia, naturalmente, evoluir para outro formato cívico ou associativo. No entanto, os eleitos que se mantêm em articulação regular no âmbito do trabalho autárquico entenderam que a prioridade, neste mandato, deve ser clara: cumprir o programa sufragado pelos eleitores, prestar contas, fiscalizar com rigor e contribuir para soluções concretas para o concelho de Ovar, de acordo com as citações ao Notícias de Ovar por Lígia Pode.
Lígia Pode, vereadora eleita pelo AGIR, sublinha que “a nossa preocupação é cumprir o programa dentro das limitações que os resultados eleitorais ditaram. O AGIR não ganhou as eleições em nenhuma freguesia, na Assembleia Municipal ou na Câmara Municipal. Mas os ovarenses deram-nos uma responsabilidade: representar, propor, negociar, fiscalizar e fazer acontecer o que for possível. É isso que estamos a fazer, sem dramatismos de palco e sem vender a alma na bilheteira”.
A vereadora recorda que o acordo de colaboração política celebrado com o PSD é público, programático e transparente. Não constitui uma coligação, nem representa subordinação partidária. Foi assumido como instrumento de governabilidade e de execução de medidas concretas, preservando a autonomia, a identidade e a capacidade crítica do AGIR.
“Quem venceu as eleições para a Câmara Municipal foi o PSD. Aos restantes cabia escolher entre uma oposição estéril, útil apenas para discursos inflamados, ou uma atuação exigente, criteriosa e responsável, capaz de viabilizar soluções e obrigar ao cumprimento de compromissos. Escolhemos a segunda hipótese. É menos vistosa para cartazes, mas bastante mais útil para Ovar”, acrescenta Lígia Pode.
Relativamente aos eleitos que, após as eleições, optaram por um percurso político autónomo, Lígia Pode afirma que essa decisão é legítima e deve ser respeitada. “Cada eleito responde perante a sua consciência, o seu mandato e os cidadãos. Da nossa parte, continuaremos disponíveis para trabalhar com todos os que coloquem o interesse do concelho acima da espuma das redes sociais.”
O site agirovar.pt continua ativo como instrumento de transparência, memória política e prestação de contas, permitindo acompanhar a atividade dos eleitos que permanecem alinhados com os princípios, objetivos e programa que deram origem ao movimento.
Nos últimos dias circularam nas redes sociais publicações e interpretações sobre o AGIR cuja autoria, integralidade ou veracidade não foi confirmada. Sobre essa matéria, a vereadora deixa uma nota: “Não emitimos comunicados-fantasma, nem fazemos política por sombras chinesas. A informação oficial deve ser confirmada nos canais próprios. A democracia agradece; a desinformação, naturalmente, fica menos entusiasmada.”
“O encerramento formal do Grupo de Cidadãos Eleitores não apaga o sentido do voto recebido, nem diminui a responsabilidade dos eleitos. Pelo contrário: reforça a obrigação de trabalhar com seriedade, independência, espírito crítico e respeito pelos ovarenses. O nome pode encerrar o ciclo formal; o compromisso com Ovar não encerra.”
O Notícias de Ovar pediu uma entrevista mais demorada para fazer um primeiro balanço, que a vereadora aceitou, mas pediu algum tempo para levar o assunto à reunião do grupo de trabalho.