Tem 21 anos e é de Esmoriz. É finalista da licenciatura de Marketing na Universidade de Aveiro. É a responsável pela área no projeto que partilha com dois jornalistas, incluindo a mãe, da criação da Revista de Futebol feminino “Magriça”
Na nossa conversa deu para perceber a autonomia, a independência, resiliência, determinação e a segurança do que quer, mesmo que ainda haja campos que precisa de explorar.
Luana Doce, que pensámos até ser um nick name, é o seu nome real mas sem dúvida que o apelido do pai, Doce, é bem um sinal da sua atitude e da forma como vai conquistar um mercado que não sendo fácil, conhece bem.
Fez natação, até disse que “como toda a gente” aluna de música, que a colocou frente a um piano, foi o futebol quem a arrastou para este caminho.
A música não a cativou o suficiente porque não passou do módulo clássico e não era a dimensão que a envolvia.
Mas o futebol foi outra música. Iniciou-se no Esmoriz em equipa mista, como ainda hoje acontece nas classes mais jovens do clube, de quase todos os clubes.
O futebol feminino na nossa região é muito rico.
Tinha 5 anos quando teve que decidir entre o voleibol e o futebol. Foi aos 14 que integrou a seleção nacional. Estreou-se um ano depois na seleção nacional de sub-15 imediatamente como titular. Depois nos sub-17 e mais tarde sub-19. Realizou 14 internacionalizações.
Muda-se para Lisboa, para o Benfica e para a lusófona, e esse é o seu verdadeiro período de viragem. Diz que é em lisboa que coleta os amigos novos e alguns influentes, vive a nata do futebol e o intenso modo de vida da capital.
E são estes dados, mais a juventude em família e os grupos de amigos que preserva e cultiva, que estão na base da sua decisão de ser timoneira na defesa do futebol feminino. Aliás defende que a expressão nem devia existir, apenas futebol. Defende por isso uma plataforma de igualdade, reconhecendo as diferenças que entende não serem suficientes para a segmentação.
Assusta a sua determinação. E a Magriça é um instrumento para este seu fim. A revista que tem uma qualidade editorial e gráfica muito acima da média, e estranhamente alicerçada na Vila da feira, longe dos grandes palcos.
Falámos do futuro e aceita a dificuldade de crescimento, até porque os custos são elevados, mas a sua formação académica impulsiona a sua vontade de tornar este projeto imenso, aguardando agora que as diversas marcas que apoiam a modalidade a ajudem a crescer. Há criatividade e desafio. Basta agora criar a ponte com lisboa.
Uma nota final, se lhe atribuírem o conceito de “Maria Rapaz” é bem possível que ela cometa falta e o derrube. A Luana é apenas uma rapariga de 21 anos que sempre amou, e muito, as opções que foi fazendo.

